O Estado reúne uma combinação rara de potencial de energia renovável, vocação logística e um importante ativo estratégico subestimado que é a conectividade internacional
Musk, com seu senso de urgência característico, apontou o gargalo que ninguém consegue ignorar. Antes de faltar chip, pode faltar energia. A cadeia que sustenta a “inteligência” começa no lugar mais clássico possível que é a tomada da luz. Huang, por sua vez, deu nome ao fenômeno chamando-o de “AI Factories”, ou seja, fábricas de IA. A mensagem desloca a conversa do glamour do software para a economia real, a que vemos que é obra, metal, refrigeração, engenharia elétrica, operação 24/7, energia e segurança, sendo essa última, digital e jurídica.
Se essa é a nova regra do jogo, naturalmente, a geopolítica da tecnologia também muda. A disputa não será apenas por quem cria o melhor modelo, mas por quem oferece o melhor território para ele existir com energia disponível, conectividade (cabos) de baixa latência e espaço para escala. É aqui que o Brasil e, de modo especial, o Ceará, sendo em Fortaleza na Praia do Futuro e na cidade de Caucaia, na ZPE e no PARTEC, entram fortemente nessa conversa. O Estado reúne uma combinação rara de potencial de energia renovável, vocação logística e um importante ativo estratégico subestimado que é a conectividade internacional. Fortaleza consolidou-se como um dos principais pontos de chegada de cabos submarinos do mundo e o maior da América Latina. Isso não é detalhe técnico. É posição no mapa do século XXI. Trata-se de vantagem comparativa inquestionável.
Mas há uma “pegadinha” embutida nessa vantagem. Como o próprio Huang tem defendido, países e regiões precisam construir capacidade de processar dados e gerar valor no seu próprio território. Se os dados apenas tocam o nosso litoral e vão embora para serem processados fora, exportamos valor na forma de demanda e importamos tecnologia como custo.
Nesse contexto, Caucaia aparece como ponto de inflexão. Entre o hub urbano de Fortaleza e o Complexo do Pecém, somos o corredor natural e passagem obrigatória onde a conectividade e a energia se encontram com a escala territorial. É exatamente a geografia que a nova economia procura, por ser perto o suficiente para latência competitiva e ampla o suficiente para grandes plantas. Contudo, para que essa vocação vire prosperidade, precisamos enfrentar um debate decisivo e técnico sobre as contrapartidas estruturantes, notadamente as oferecidas pelo TikTok/Grupo Omini (5 eixos), inicialmente para o Governo do Ceará e posta naquela mesa de negociação mas ainda não aberta para a cidade de Caucaia, talvez a mais atingida por esse tsunami tecnológico que aqui aporta.
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