De acordo com o Auto de Prisão em Flagrante (APF), a Polícia Civil chegou até Maria Lúcia de Oliveira Souza na tarde do dia 26 de março de 2026, no Condomínio Lino 7, no bairro Araturi. A localização foi possível após a quebra de sigilo de dados do aparelho da vítima, um Samsung Galaxy A16, autorizada pela Justiça.
Relatórios das operadoras de telefonia anexados ao processo apontam que o aparelho continuou operando após o desaparecimento do motorista. O documento detalha que Francisco Wanderson Santos Pereira, companheiro de Maria Lúcia e apontado como suspeito, inseriu um chip próprio no celular no dia 19 de março. A própria autuada passou a utilizar o telefone com uma linha em seu nome.
Durante a abordagem policial no condomínio, Francisco Wanderson conseguiu fugir pulando o muro e se escondendo em um matagal. Maria Lúcia, no entanto, foi detida na posse do telefone roubado. No depoimento, a suspeita alegou ter comprado o aparelho por R$ 400 de um desconhecido no Facebook.
Sobre a reação agressiva no momento da prisão, ela declarou à polícia que "não tinha conhecimento da procedência do referido celular, motivo pelo qual ficou nervosa com a chegada da Polícia Civil, por isso ficou gritando e partindo para cima dos policiais civis".
Relembre o caso do desaparecimento da vítima, pedido de resgate e prisão de suspeitos
No dia 14 de março, Antônio, morador do bairro Bom Jardim (área com atuação do Comando Vermelho), desaparece à noite após aceitar uma corrida para o Araturi (área com atuação do Primeiro Comando da Capital). A motivação do crime seria territorial.
Após o arrebatamento, a família recebe um vídeo da vítima rendida e uma exigência de R$ 500 via Pix. O valor é pago, mas o motorista não é libertado.
Entre os dias 17 e 18 de março, a 1ª Delegacia Seccional de Caucaia rastreia o dinheiro e prende três pessoas. João Pedro Cardoso de Paula, de 23 anos, confessa que o valor iria para a facção. A titular da conta bancária, Raquel Dárphine, é solta em audiência de custódia por ser mãe de crianças neurodivergentes.
O corpo de Antônio é encontrado com sinais de violência em um terreno baldio próximo a um riacho, a cerca de 300 metros de onde teria ocorrido o sequestro.
Justiça concedeu prisão domiciliar
A audiência de custódia de Maria Lúcia foi realizada no dia 28 de março, quando ela foi autuada pelos crimes de receptação, resistência e organização criminosa. O juiz plantonista Luiz Augusto de Vasconcelos homologou o flagrante e o converteu em prisão preventiva.
Na decisão obtida pelo O POVO, o magistrado destacou a gravidade do caso, mencionando a "vinculação do objeto apreendido a crime violento que culminou na morte da vítima". O documento também ressalta os "indícios de inserção da investigada em ambiente criminógeno", referindo-se ao relacionamento dela com o suspeito foragido.
A prisão preventiva foi substituída por prisão domiciliar, por Maria Lúcia ser ré primária e mãe de uma criança de 6 anos. O juiz justificou a medida afirmando haver a "necessidade de conciliar a tutela da ordem pública com a proteção integral das crianças".
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