terça-feira, 9 de outubro de 2012

Centro cultural indígena de Caucaia é desativado por falta de recursos

Enfrentando dificuldades financeiras desde 2010, o Tapeba Centro de Produção Cultural, em Caucaia, está fechado. Expectativa das comunidades do entorno é recuperar o espaço até dezembro
André Salgado
Referência na cultura indígena do Estado e local de visitação dos turistas, o Tapeba Centro de Produção Cultural está reduzido a uma estrutura de madeira com mato seco ao redor. O equipamento, localizado no quilômetro sete da BR-222, em Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza, foi desativado devido a dificuldades financeiras.

Em 2005, o espaço foi construído por meio de parceria entre a Associação para Desenvolvimento Local Co-produzido (Adelco), a Fundação Abbé Pierre (FAP), a Associação das Comunidades dos Índios Tapebas de Caucaia e o Governo Federal. Entretanto, em 2010, como havia sido acordado antes da construção, o convênio com a instituição francesa FAP acabou. A partir desse momento, o polo deveria sobreviver sozinho com a renda do artesanato e das visitas. Entretanto, isso não aconteceu.

O centro passou a sofrer com a falta de recursos. “O convênio perdurou por cinco anos. Não foi pensado na autonomia após esse prazo. Quando finalizou, não foi possível dar continuidade e pagar água, luz”, cita um dos líderes comunitários dos Tapebas, Weiber Costa.

Além de apresentações culturais e visitas agendadas, o centro cultural possibilitava que 30 artesãos comercializassem seus produtos. Dona Raimunda Rodrigues Teixeira, 67 anos, é moradora da Comunidade da Ponte e lamenta o abandono. “Era a nossa vida que estava ali, nossos antepassados”, relata, se referindo ao Memorial Tapeba Cacique Perna de Pau, anexo do centro de produção.

A agente de saúde Verônica Pereira, 31 anos, diz que o espaço era importante. “O problema é não ter sido preparado para a continuação após o final do convênio. Ficou fechado, teve furtos, prejuízos”, reclama. Já o líder comunitário Sérgio Rodrigues, 38 anos, disse que chegaram a fazer o princípio da reforma em julho passado. “Mas foram embora e não sabemos o motivo. A esperança é ter o centro de volta até o final do ano”, afirma.

Segundo Weiber, foi firmada uma parceria com a empresa telefônica Vivo para recuperação do centro de produção. A ideia é refazer a parte elétrica e substituir a palha por telha ecológica. A reforma deve durar entre 30 e 45 dias. Weiber diz que a empresa teve problemas burocráticos e não conseguiu iniciar ao processo.

Por meio de sua assessoria de imprensa regional, a Vivo informou que possui um projeto de reforma do centro. Será uma compensação pela implantação de um cabo de fibra ótica. Não foram passados mais detalhes.

ENTENDA A NOTÍCIA

O Tapeba Centro de Produção Cultural, inaugurado em janeiro de 2005, fechou por falta de recursos, conforme O POVO mostrou na coluna Vertical do último dia 22. Expectativa é revitalizar o espaço até dezembro.

 interjornal

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